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Doctoral Thesis
DOI
Document
Author
Full name
Max Packer
E-mail
Institute/School/College
Knowledge Area
Date of Defense
Published
São Paulo, 2018
Supervisor
Committee
Mello Filho, Silvio Ferraz (President)
Bonis, Maurício Funcia de
Franco, Sergio Kafejian Cardoso
Garcia, Denise Hortência Lopes
Penha, Gustavo Rodrigues
Title in Portuguese
Dobra, redobra, desdobra: comentário e abertura composicional de obras musicais
Keywords in Portuguese
Claude Lévi-Strauss
Composição musical
Luciano Berio
Reescritura
Transcrição musical
Abstract in Portuguese
Esta tese é dedicada ao estudo de processos composicionais que se desencadeiam a partir de obras musicais preexistentes e acabadas. Dentre a enorme variedade de possíveis abordagens criativas a materiais musicais preexistentes, o presente estudo se volta para o que, a exemplo de Berio, denominamos comentário composicional: processos que se caracterizam, grosso modo, por operações de cunho intrínseco, isto é, que buscam desdobrar uma obra preexistente através da exploração de potencialidades latentes na própria obra e nos processos formativos que lhe são inerentes. Para tanto, nossa abordagem orienta-se por uma dupla pergunta de faces complementares: pela abertura que (a) se pode reconhecer nas obras (em suas dobras) e que (b) emerge por meio de novos processos (nas redobras e desdobras). A fim de investigar de forma ampla as condições para que uma obra musical já consolidada possa vir a ser tomada como ponto de partida - e como objetoproblema - para um nova composição, a primeira etapa de nossa exposição - capítulo I - busca examinar um princípio de abertura composicional. Conforme a hipótese que assumimos, tal abertura seria imanente às obras e apreensível na forma de um excedente de potencialidades criativas que emerge do inacabamento e da não-univocidade dos processos que as formaram. As noções de atual e virtual elaboradas por Deleuze e o circuito dinâmico - de virtualizações e reatualizações - no qual elas interagem, servirão como chave conceitual que auxiliará o exame deste principio de abertura intrínseca em peças de autores diversos, entre eles Pergolesi, Bach, Schumann, Stravinsky, Berio e Andriessen. Os capítulos II e III se voltam para duas modalidades de reelaboração de obras preexistentes que, de modos distintos, acionam a tensão entre o acabamento da obra e o inacabamento de seus processos. No capítulo II, nos debruçamos sobre a prática da transcrição a fim de interrogar em que medida a operação básica que a caracteriza, a saber, a reconstrução de uma peça em um meio instrumental distinto daquele para o qual fora anteriormente concebida, pode implicar uma intervenção em níveis processuais, acessando e refazendo dimensões formativas da obra original. À luz das reflexões estéticas de Lévi-Strauss - em especial da noção de modelo reduzido -, e a partir da análise de transcrições de Bach, Stravinsky, Webern, Messiaen, Sciarrino e Kurtág, propomos que a transcrição possa ser entendida como um processo de reatualização, que traz à tona dimensões que se mantinham latentes na versão original e assegura o caráter composicionalmente aberto das obras. No capítulo III, examinamos uma variedade de exemplos - de Monteverdi aos Chemins de Berio - em que uma obra preexistente, tomada como objeto de um comentário composicional, é integralmente conservada em meio à expansão de seu efetivo instrumental e/ou o desdobramento, 'em tempo real' e in loco, de seus processos formativos. O objetivo geral deste trabalho é fundamentar teoricamente, com base em uma diversidade de exemplos de diferentes períodos históricos, uma prática composicional que se desenvolva como um modo de reflexão explícita e direta sobre obras e processos musicais preexistentes. Ao final, complementamos este percurso relatando um conjunto de estratégias de comentário desenvolvidas em nossa própria prática composicional.
Title in English
Fold, refold, unfold: compositional commentary and openness of musical works.
Keywords in English
Claude Lévi-Strauss, Luciano Berio
Musical composition
Musical transcription
Rewriting
Abstract in English
This thesis investigates compositional processes that are triggered out from preexisting and finished musical works. Among the wide variety of possible creative approaches to preexisting musical materials, the current study is interested in the practice of compositional commentary (as originally named by Luciano Berio): processes which are distinguished for operating intrinsically upon the work from which they stem, i.e., by endeavoring to unfold a preexisting work through the exploration of latent potentialities in the work itself and its inherent formative processes. For this, our approach is oriented by a twofold investigation of (a) the openness that can be identified within the works (on its folds), as well as (b) the openness that emerges by means of new compositional processes (through its refolding and unfolding). In order to widely investigate the conditions required for a preexisting musical work to be taken as the starting point - and as a problematic object - to a new composition, we initiate our exposition (Chapter I) by examining a principle of compositional openness which, accordingly to our hypothesis, would be immanent in the works and apprehensible as a surplus of potentialities that emerges from the incompleteness and the non-univocity of its inherent formative processes. The notions of actual and virtual as elaborated by Deleuze and the dynamic circuit of virtualization and re-actualization in which they interact are taken as a conceptual key for the examination of this principle of intrinsic openness in pieces by several composers, including Pergolesi, J.S. Bach, Schumann, Stravinsky, Berio and Andriessen. Chapters II and III are respectively focused on two modalities of reworking of preexisting works which activate in their own peculiar ways the tension between the completeness of the work and the incompleteness of the composition (i. e., of the compositional process). In Chapter II, we approach the practice of transcription in order to investigate to what extent its basic operation (namely, the reconstruction of a musical piece in a different instrumental medium) entails a compositional intromission which brings to question the completeness of the work by reactivating its incompleteness. Through the notion of reduced model elaborated by the anthropologist Lévi-Strauss, and based the analysis of transcriptions by J.S. Bach, Stravinsky, Webern, Messiaen, Sciarrino and Kurtág, we propose that transcription may be understood as a process of re-actualization, which brings up aspects which remained latent within the original version and thus assures its compositional openness. In Chapter III, we examine a variety of examples - including, among other works, a couple madrigals by Monteverdi as well as a few of Berio's Chemins - in which a preexisting work, taken as the object for a compositional commentary, is fully conserved within an expanded ensemble and/or amidst the unfolding of its formative processes. The general aim of this research is to provide theoretical ground - supported by musical examples from different historical periods - to a compositional practice which consists in an explicit and direct form of reflection on preexisting works and musical processes. At last we report a set of commentary strategies developed in our own compositional practice.
 
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Tese_MaxPackerVCor.pdf (29.43 Mbytes)
Publishing Date
2019-03-11
 
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