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Tese de Doutorado
DOI
10.11606/T.48.2017.tde-13062017-115933
Documento
Autor
Nome completo
Patricia Claudia da Costa
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2017
Orientador
Banca examinadora
Catani, Afranio Mendes (Presidente)
Almeida, Maria Isabel de
Ernica, Mauricio
Lugli, Rosario Silvana Genta
Tomizaki, Kimi Aparecida
Título em português
Das escol(h)as possíveis à carreira do magistério superior federal: condicionantes sociais das trajetórias de docentes oriundos de famílias pobres e sem tradição de longevidade escolar
Palavras-chave em português
Carreira docente
Expansão universitária
Jogo da escolarização
Trajetória formativa
Trajetória profissional
Unifesp
Resumo em português
Entre 2004 e 2014, a Educação Superior brasileira passou pelo maior processo de expansão já empreendido em sua curta história. Embora a maior parte das matrículas tenha se mantido na rede privada, foi no setor público que ocorreu a ampliação mais significativa do número de instituições, cursos, matrículas e funções docentes, especialmente na rede federal. Tal processo possibilitou o ingresso não somente de maior número de discentes oriundos de famílias pobres e sem tradição de longevidade escolar, mas também de docentes que trilharam trajetórias formativas e profissionais marcadas por condicionantes sociais próprios desse tipo de origem, os quais relacionam as escolas que puderam frequentar com as escolhas possíveis quanto à formação acadêmica e a inserção no mundo do trabalho. Com referencial teóricometodológico bourdieusiano e o objetivo de desvelar os condicionantes sociais de trajetórias de docentes de origem popular que ingressaram numa universidade federal durante a expansão, foram coletados dados em fontes documentais diversas e também por meio de questionário, observação de locais de trabalho e entrevista semiestruturada, de natureza autobiográfica. Do total de 1.427 docentes que compunham o quadro efetivo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em julho de 2014, o questionário foi respondido por 339 agentes de diversas origens sociais e, entre eles, foram entrevistados 31 docentes de origem popular, distribuídos em cinco campi e diversas áreas de conhecimento. Para situar sóciohistoricamente o espaço de confluência das trajetórias, a análise parte de um histórico da instituição, desde sua criação, por e para uma parcela da elite paulistana, como Escola Paulista de Medicina (EPM), até as transformações que a tornaram uma universidade multicampi, por força da expansão que visava democratizar seu público. Em seguida, dois capítulos se dedicam a expor os aspectos considerados mais relevantes nas trajetórias. A análise revela 9 condicionantes sociais mais proeminentes: i- influência do nível de escolaridade familiar nas formas de adesão ao jogo da escolarização; ii- acesso a diferentes oportunidades de formação escolar; iii- relação entre as restrições materiais sofridas durante a formação básica e a precariedade das estratégias de acúmulo de capital cultural; iv- implicação da formação inicial na escolha da formação universitária; v- necessidade de recursos materiais para assegurar a vida universitária; vi- convivência acadêmica como impulsora da formação e carreira; vii- obtenção de bolsa de estágio em nível de Pós-Doutorado; viii- expansão das universidades federais; ix- configurações específicas das áreas de conhecimento como balizador dos modos de trabalho. Conclui-se que os condicionantes sociais diretamente relacionados à origem de classe não justificam integralmente os percursos, as escolhas e os investimentos na carreira; porém, delineiam o horizonte de possibilidades e operam sobre a estruturação dos esquemas de percepção, avaliação, pensamento e ação de cada agente, cumprindo função decisiva na definição do destino e do desenvolvimento profissional. Portanto, tais condicionantes não podem ser ignorados quando se discute a expansão ou democratização do acesso à Educação Superior, sobretudo no que diz respeito à importância da assistência estudantil como política de permanência para que os estudantes pobres conquistem a longevidade escolar.
Título em inglês
From possible schools/choices to the career in federal higher education teaching: social constraints in the trajectories of professors from poor families and with no tradition of schooling longevity
Palavras-chave em inglês
Formative trajectory
Professional trajectory
Schooling game
Teaching career
Unifesp
University expansion
Resumo em inglês
Between 2004 and 2014, Higher Education in Brazil experienced the largest expansion in its short history. Although most registrations took place in private institutions, the public sector faced the most significant enlargement in the number of institutions, courses, registrations and teaching functions, especially in the federal system. Such process enabled not only access to the university by a greater number of students from poor families and with no tradition of schooling longevity, but also professors who have had formative and professional trajectories marked by social constraints, typical of such origin, which relate to the schools they were able to attend with their possible choices regarding academic education and transition to the labor market. Supported by Bourdieu´s theoretical/methodological framework and with the purpose of unveiling the social constraints of the trajectories of professors from grass-roots background who were admitted to a federal university at the time of the expansion, data collection came from several documental sources and also from a questionnaire, the observation of the workplaces and an autobiographical semi-structured interview. Out of 1,427 professors who were the effective faculty of the Federal University of São Paulo (Unifesp) in July, 2014, the questionnaire got responses from 339 agents from several social origins and, out of them, 31 professors from grass-roots background were interviewed, spread in five campuses and from different areas of knowledge. In order to locate socio-historically the space of confluence of the trajectories, the analysis starts with a history of institution, since it was established, by and for a portion of São Paulo´s elite, as the São Paulo Medical School (EPM), up to the changes that turned it into a multi-campus university, as a result of the expansion aimed at democratizing its public. Next, two chapters are dedicated to exposing the most remarkable aspects in the trajectories. The analysis reveals nine (9) outstanding social constraints: i- influence of the family schooling level in the forms of adherence to the schooling game; ii- access to different opportunities of education; iii- relation between the material limitations occurring during basic education and the precarious strategies of building up cultural capital; iv- implication of the basic education in the choice of higher education to be pursued; v- need of material resources to achieve a university degree; vi- academic conviviality as an impeller to education and career; vii- getting a scholarship as a PostDoctoral intern; viii- expansion of the federal universities; ix- specific configurations of the areas of knowledge as a guide of the ways of work. Conclusion was that the social constraints directly associated with the class origin do not thoroughly justify the routes taken, the choices and investments made in the career; however, they outline the horizon of possibilities and play a role onto the structuring of the schemes of perception, evaluation, thinking and action of each agent, fulfilling a decisive function in defining the professional destiny and development. Therefore, such constraints cannot be ignored when one discusses the expansion or democratization of the access to Higher Education, mainly concerning the importance of student assistance as a policy to retain poor students and make them achieve schooling longevity.
 
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Data de Publicação
2017-06-23
 
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