Dissertação de Mestrado

Documento
Dissertação de Mestrado
Nome completo
Aryel Ken Murasaki
E-mail
Unidade da USP
Faculdade de Medicina (FM)
Data de Defesa
2024-11-12
Imprenta
São Paulo, 2024
Orientador
Banca examinadora
Galheigo, Sandra Maria (Presidente)
Oliver, Fatima Correa
Correia, Ricardo Lopes
Monzeli, Gustavo Arthur
Título em português
Luto todo dia por ser quem eu sou: participação social e o acesso a direitos de jovens mulheres trans
Palavras-chave em português
Direitos humanos; Juventude; Pessoas transgêneros; Terapia ocupacional; Travestis
Resumo em português
Jovens mulheres trans compõem um grupo populacional invisibilizado em pesquisas governamentais, sendo os dados referentes a essa população produzidos pelos movimentos sociais e academia. Pesquisas têm mostrado que essa população sofre com conflitos familiares, possui baixa escolaridade, menor renda, trabalhos precarizados e dificuldades em acesso a saúde, ou seja, há pouco acesso dessa população aos seus direitos, estando as mulheres trans sujeitas a processos de discriminação, preconceito e violência. Estudos ainda são necessários no que se refere aos processos vividos por jovens mulheres trans, considerando que as novas gerações têm encontrado novas formas de ser e de se reconhecer. Esta pesquisa teve como objetivo conhecer as experiências de vida de jovens mulheres trans e os desafios para a participação social e acesso aos direitos. A pesquisa foi realizada por meio de estudo qualitativo exploratório utilizando entrevistas abertas de aproximadamente 1 hora de duração. Duas perguntas foram realizadas: Como é ser uma mulher trans/travesti na sua história de sua vida Como ser uma mulher trans/travesti tem afetado seu cotidiano e impactado seus direitos? Foram entrevistadas quatro jovens mulheres trans, com idades entre 20 e 26 anos, residentes da zona leste da cidade de São Paulo. As entrevistas foram transcritas e textualizadas, tendo sido realizada análise temática reflexiva do material. Foram elaboradas 2 categorias temáticas: (a) Luto todo dia por ser quem sou: processos de se assumir e se afirmar trans; (b) Eu vou procurando esses lugares mais fáceis de conviver com as pessoas: reconhecimento, acesso a direitos e participação social. Os resultados da pesquisa refletem sobre as experiências de ser trans no que se refere: a) a se reconhecer enquanto uma pessoa trans, b) à experiência do corpo trans como um corpo político; c) à questão do nome social e ao processo de retificação dos documentos e; d) às potências e dificuldades da interação familiar e nos relacionamentos interpessoais; e) às vivências escolares com suas potências e discriminações; f) às experiências de trabalho, que implicam em relações de discriminação, informalidade e precariedade e; g) à atenção à saúde e aos processos vividos que envolvem violências, discriminações e saúde mental. A pesquisa pode refletir sobre o acesso a direitos das jovens mulheres trans em sua luta contra preconceitos e discriminações, afirmando a importância do desenvolvimento de práticas sociais e de saúde mais acolhedoras e emancipatórias, que se baseiem no melhor conhecimento de suas experiências de vida
Título em inglês
I fight every day to be who I am: social participation and access to rights for young trans women
Palavras-chave em inglês
Human rights; Occupational therapy; Transgender people; Transvestites; Youth
Resumo em inglês
Young trans women constitute a population group that is invisible in government surveys. Data referring to this population are produced by social movements and academia. Research has shown that this population often face family conflicts and have low education, lower income, precarious jobs and difficulties in accessing health care. Consequently, they have little access to their rights, with trans women facing processes of discrimination, prejudice and violence. Studies are still needed with regard to the processes experienced by young trans women, considering that the new generations have found new ways of being and recognizing themselves. This research aimed to learn about the life experiences of young trans women and the challenges for social participation and access to rights. The research was carried out through an exploratory qualitative study using open interviews of approximately 1 hour duration. Two questions were asked: What is it like to be a trans woman/transgender in your life story? How has being a trans woman/transgender affected your daily life and impacted your rights? Four young trans women, aged between 20 and 26 years, living in the east zone of the city of São Paulo, were interviewed. The interviews were transcribed and textualized, and a reflective thematic analysis of the material was performed. Two thematic categories were elaborated: (a) I fight every day for being who I am: processes of coming out and affirming oneself as trans; (b) I look for those places that are easier to live with people: recognition, access to rights and social participation. The results of the research reflect on the experiences of being trans in terms of: a) recognizing oneself as a trans person, b) the experience of the trans body as a political body; c) the issue of the social name and the process of rectification of documents and; d) the strengths and difficulties of family interaction and interpersonal relationships; e) school experiences with their strengths and discriminations; f) work experiences, which imply relationships of discrimination, informality and precariousness and; g) health care and the processes experienced that involve violence, discrimination and mental health. The research can reflect on the access to rights of young trans women in their fight against prejudice and discrimination, affirming the importance of developing more welcoming and emancipatory social and health practices, which are based on better knowledge of their life experiences

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Data de Publicação
2025-05-13

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