Dissertação de Mestrado
Documento
Dissertação de Mestrado
Autor
Nome completo
Ana Cristina Fagundes Souto
E-mail
Unidade da USP
Faculdade de Medicina (FM)
Área de Concentração
Data de Defesa
2025-06-17
Imprenta
São Paulo, 2025
Orientador
Banca examinadora
Oliver, Fatima Correa (Presidente)
Almeida, Marta Carvalho de
Nicolau, Stella Maris
Silva, Rodrigo Alves dos Santos
Título em português
Terapia ocupacional na atenção básica: refletindo sobre a prática em tempos incertos, a partir de um coletivo profissional
Palavras-chave em português
Atenção primária à saúde; Prática profissional; Saúde coletiva; Terapia ocupacional; Trabalhador coletivo
Resumo em português
A ColetivA de Terapeutas Ocupacionais na Atenção Básica e Outras Práticas Territoriais é um grupo de profissionais de vários municípios, formado durante a Pandemia de COVID-19, que se reúne periodicamente para responder às questões da prática profissional, considerando as mudanças nas políticas públicas e a reorganização das práticas após encerramento dos Núcleos Ampliados de Saúde da Família. Os encontros realizados trouxeram questões sobre o processo de trabalho em Terapia ocupacional, que requerem ser reconhecidos e aprofundados, bem como as populações atendidas e procedimentos desenvolvidos antes e após a pandemia. O trabalho tem como objetivo conhecer, sob a ótica do coletivo, os componentes do Processo de Trabalho em Saúde (objetos de trabalho, instrumentos, necessidades de saúde) na Atenção Básica. Trata-se de pesquisa qualitativa, aplicada e exploratória, realizada por meio de quatro encontros de Grupo Focal (GF) com periodicidade semanal e até 8 participantes, duração de 1 hora e 30 minutos cada. Nos GF foram abordadas categorizações das ações profissionais como os Parâmetros Assistenciais do COFFITO, as ações identificadas por pesquisadores da área e aquelas apresentadas na Carta Aberta pela preservação, ampliação de inserção e garantia de acesso universal às Práticas de Terapia ocupacional na Atenção Básica. Foi apresentada a referência teórica do Processo de Trabalho em Saúde e realizada identificação conjunta dos componentes a partir da narrativa de atendimentos. O conteúdo gravado e transcrito foi analisado por meio de Análise de Temática quanto aos referidos componentes (objetos de trabalho, instrumentos de trabalho, necessidades de saúde), as ações processuais intencionais que constituem intervenções e como nomeá-las. Os resultados indicam posicionamento crítico sobre cotidiano de trabalho e dificuldades para nomear as ações. Os objetos de trabalho foram construídos processualmente e não por meio de avaliações formais em momento anterior à intervenção, e são influenciados pelos elementos da organização e estrutura dos serviços. Houve ênfase na identificação das necessidades de saúde, conformadas ou não por campos de atuação (por exemplo, saúde mental) e na identificação de instrumentos, como por exemplo, o mapeamento da rede de suporte ou acompanhamento da pessoa nas atividades no território. A Análise temática indicou as categorias como, por que e para quem nomear o que fazemos?, os atendimentos e não-atendimentos na pandemia; avaliação não, mas construção de campo de possibilidades com o usuário; norteadores ético-políticos contextualizados a partir do campo de possibilidades, muitos recursos conjugam instrumentos complexos, quem chega e quem aparece no processo, de população à pessoa e grupos como instrumento. O uso de recursos inespecíficos se converte em instrumento específico, interrelacionado aos demais componentes do processo e quando ancorado na observação e nas ações em contextos reais da vida cotidiana, como espaço domiciliar e convivência familiar, de modo dialogado com o usuário. A especificidade parece surgir do como fazemos (em diálogo com) mais do que o que fazemos (como técnica e intervenção vertical que circunscreveria procedimentos).
Título em inglês
Occupational therapy in primary health care: reflecting on practice in uncertain times, based on a professional collective
Palavras-chave em inglês
Collective health; Collective worker; Occupational therapy; Primary health care; Professional practice
Resumo em inglês
The Collective of Occupational Therapists in Primary Care and Other Territorial Practices is a group of professionals from several municipalities, formed during the COVID-19 Pandemic, which meets periodically to answer questions about professional practice, considering changes in public policies and the reorganization of practices after the closure of the Nucleos Ampliados de Saúde da Família. The meetings held raised questions about the work process in Occupational Therapy, which need to be recognized and deepened, as well as the populations served and procedures developed before and after the pandemic. The work aims to understand, from the perspective of the collective, the components of the Health Work Process (work objects, instruments, health needs) in occupational therapists practice in Primary Care. This is a qualitative, applied and exploratory research, carried out through four weekly Focus Group (FG) meetings with up to 8 participants, lasting 1 hour and 30 minutes each. The FGs addressed categorizations of professional actions such as the COFFITO Care Parameters, the actions identified by researchers in the area and those presented in the Open Letter for the preservation, expansion of insertion and guarantee of universal access to Occupational Therapy Practices in Primary Care. The theoretical reference of the Health Work Process was presented and joint identification of the components was carried out based on the narrative of care provided. The recorded and transcribed content was analyzed through Thematic Analysis regarding the aforementioned components (work objects, work instruments, health needs), the intentional procedural actions that constitute interventions and how to name them. The results indicate a critical positioning on daily work and difficulties in naming the actions. The work objects were constructed procedurally and not through formal assessments prior to the intervention, and are influenced by the elements of the organization and structure of the services. There was an emphasis on identifying health needs, whether or not they were shaped by fields of action (for example, mental health) and on identifying instruments, such as mapping the support network or monitoring the person in activities in the territory. The thematic analysis indicated the categories how, why and for whom to name what we do?, care and non-care during the pandemic; no assessment, but rather construction of a field of possibilities with the user; ethical-political guidelines contextualized based on the field of possibilities, many resources combine complex instruments and who arrives and who appears in the process, from the population to the person and groups as an instrument. The use of nonspecific resources becomes a specific instrument interrelated to the other components of the process and when anchored in observation and actions in real contexts of everyday life, such as home environment and family life, in a dialogue with the user. The specificity seems to arise from how we do it (in dialogue with) more than what we do (as a technique and vertical intervention that would circumscribe procedures).
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Data de Publicação
2025-10-17
Trabalhos decorrentes
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