Dissertação de Mestrado

Documento
Dissertação de Mestrado
Nome completo
Mariana Oliveira Leite Silva
E-mail
Unidade da USP
Faculdade de Medicina (FM)
Data de Defesa
2025-04-10
Imprenta
São Paulo, 2025
Banca examinadora
Pinto, Maria Paula Panuncio (Presidente)
Galheigo, Sandra Maria
Pfeifer, Luzia Iara
Sposito, Amanda Mota Pacciulio
Título em português
Promoção do brincar de crianças hospitalizadas em tratamento oncológico na primeira infância: compreendendo o papel dos pais
Palavras-chave em português
Brincar; Criança; Família; Neoplasias; Terapia ocupacional
Resumo em português
Introdução: o brincar é uma ocupação fundamental na infância. Existem situações de restrições e limitações que influenciam negativamente as possibilidades e o desenvolvimento do brincar, como no caso do câncer infantojuvenil. Em todos os níveis de assistência e ao longo das etapas do tratamento, o brincar terá papel central nas intervenções do terapeuta ocupacional. Porém, quando se trata de intervenções na infância, adotar uma perspectiva familiar confirma a centralidade que a família possui nas práticas de cuidado à criança. Objetivo: verificar a percepção dos cuidadores informais/principais acompanhantes de crianças hospitalizadas em tratamento oncológico, na primeira infância, sobre seu papel na promoção do brincar neste contexto. Procedimentos metodológicos: trata-se de estudo descritivo-exploratório, apoiado na metodologia qualitativa de pesquisa, que abordou mães-cuidadoras de crianças hospitalizadas para tratamento oncológico na faixa etária de 0 a 6 anos, que aceitaram voluntariamente participar, assinando o termo de consentimento livre e esclarecido, através de aplicação de questionário sociodemográfico e entrevista qualitativa. Resultados: participaram do estudo seis mães de crianças internadas na enfermaria pediátrica. A análise das narrativas das mães participantes permitiu identificar os temas: o brincar em casa - o brincar ativo, possibilidades de brincar que não acontecem no hospital, limitações pelos impactos do adoecimento e tratamento, o brincar em segundo plano; o brincar no hospital - mudanças no comportamento/humor, físicas e no ambiente e na rotina geram mudanças no brincar, dificuldades das mães, experiências positivas brincando no hospital; a importância do brincar - brincar como recurso e como fim em si mesmo, benefícios para os acompanhantes; o papel de promover o brincar - apoio subjetivo e prático; orientações e apoio - profissional e adequações no espaço físico. Transversalmente, esteve presente a temática da sobrecarga das mães, em todos os casos, a principal cuidadora. Considerações finais: a busca pela compreensão da percepção destas mães sobre seu papel na promoção do brincar de seus(as) filhos(as) não poderia deixar de considerar as questões de gênero e papéis envolvidos, além da sobrecarga materna. As mães afirmam que brincam com seus(as) filhos(as), porém, este brincar está imerso em um cenário de múltiplas demandas e tarefas relacionados ao ser mulher, mãe e dona de casa. O processo de adoecimento e a hospitalização pelo câncer infantojuvenil adicionam outros elementos a esse cenário. Apesar de reconhecer a importância do brincar para seus(as) filhos(as), as mães sinalizam dificuldades na promoção do brincar no contexto hospitalar, tanto por questões relacionadas à criança, ao ambiente e rotina, como também devido a dificuldades pessoais, como não saber o que fazer ou como proceder em determinadas situações, referindo que seu papel é o de apoiar os(as) filhos(as), por vezes em um sentido mais subjetivo do que prático e relatando que sentem a necessidade de receber apoio e/ou orientação específicos para a promoção do brincar no hospital. Espera-se que este estudo contribua para fomentar ainda mais a discussão sobre a necessidade de práticas relacionadas ao brincar no contexto hospitalar e a participação das famílias, mas sob uma perspectiva ampliada, que considere a singularidade do papel de mãe neste cenário
Título em inglês
Promoting play in hospitalized children undergoing cancer treatment in early childhood: understanding the role of parents
Palavras-chave em inglês
Child; Family; Neoplasms; Occupational therapy; Play
Resumo em inglês
Introduction: playing is a fundamental occupation in childhood. There are situations of restrictions and limitations that negatively influence the possibilities and development of playing, as in the case of childhood cancer. At all levels of assistance and throughout the stages of treatment, playing will play a central role in the occupational therapist's interventions. However, when it comes to interventions in childhood, adopting a family perspective confirms the centrality that the family has in child care practices. Objective: to verify the perception of parents/main caregivers of children hospitalized undergoing cancer treatment, in early childhood, about their role in promoting play in this context. Methodological procedures: this is a descriptive-exploratory study, supported by qualitative research methodology, which approached mothers/main caregivers of children hospitalized for oncological treatment aged 0 to 6 years, who voluntarily agreed to participate, signing the consent form free and informed, through the application of a sociodemographic questionnaire and qualitative interview. Results: six mothers of children admitted to the pediatric ward participated in the study. The analysis of the narratives of the participating mothers allowed us to identify the following themes: playing at home - active play, possibilities of playing that do not happen in the hospital, limitations due to the impacts of illness and treatment, play as a secondary concern; playing in the hospital - changes in behavior/mood, physical and in the environment and routine generate changes in playing, difficulties for mothers, positive experiences playing in the hospital; the importance of playing - playing as a resource and as an end in itself, benefits for companions; the role of promoting play - subjective and practical support; guidance and support - professional and adjustments in the physical space. Across the board, the theme of overload on mothers, in all cases, the main caregiver, was present. Final considerations: It was understood that the search for understanding these mothers' perceptions of their role in promoting play for their children could not overlook issues of gender and the roles involved, as well as maternal overload. Mothers affirm that they play with their children; however, this play is immersed in a scenario of multiple demands and tasks related to being a woman, mother, and housewife, and the process of illness and hospitalization due to childhood cancer adds other elements to this scenario. Despite recognizing the importance of play for their children, the mothers indicate difficulties in promoting play in the hospital context, both due to issues related to the child, the environment, and routine, as well as personal difficulties, such as not knowing what to do or how to proceed in certain situations, stating that their role is to support their children, sometimes in a more subjective than practical sense, and reporting that they feel the need for specific support and/or guidance for promoting play in the hospital. It is hoped that this study will further contribute to the discussion on the need for practices related to play in the hospital context and family participation, but from an expanded perspective that considers the uniqueness of the mother's role in this scenario

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Data de Publicação
2025-10-02

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