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Dissertação de Mestrado
DOI
10.11606/D.81.2012.tde-13082012-112755
Documento
Autor
Nome completo
João Eduardo Fernandes Ramos
E-mail
Unidade da USP
Área do Conhecimento
Data de Defesa
Imprenta
São Paulo, 2012
Orientador
Banca examinadora
Piassi, Luis Paulo de Carvalho (Presidente)
Martins, Maria Silvia Cintra
Zanetic, Joao
Título em português
A ciência e o insólito: o conto de literatura fantástica no Ensino de Física
Palavras-chave em português
Contos
Física Moderna
Leitura
Literatura Fantástica
Resumo em português
A presente pesquisa trata da relação entre Física e Literatura, representada pelo conto fantástico, e suas possibilidades didáticas, partindo do pressuposto defendido por Zanetic (1989), de que a Física também é cultura. Optamos pelo conto, uma vez que se trata de gênero de leitura rápida, "de uma sentada só", como propõe Edgar Allan Poe (2000). Junto a ele, selecionamos a literatura fantástica, caracterizada pela hesitação entre o real e o maravilhoso. Fantástico este que possui uma função educacional, como aponta Rabkin (1977), uma vez que cria na mente uma reversão diametral e abre mundos novos e fantásticos. Dado este contorno, nosso objetivo é pensar em como a literatura, em especial os contos fantásticos, pode ser utilizada nas aulas de física para abordar conceitos e temáticas da física. Para tanto, selecionamos três contos de escritores consagrados da literatura: "O Pirotécnico Zacarias" (1974) de Murilo Rubião, "Os Jardins de Veredas que se Bifurcam" (1944) de Jorge Luís Borges e "A Milésima-segunda Noite de Xerazade" (1845) de Edgar Allan Poe. O primeiro conto ao tratar da indeterminação entre a vida e a morte, permite uma analogia com o paradoxo do gato de Schrödinger da Mecânica Quântica. O segundo conto é, uma história policial que apresenta um labirinto infinito, representado por um livro, onde todas as possibilidades ocorrem ao mesmo tempo, como um jardim de caminhos que se bifurcam. Ideia esta que dialoga com a interpretação dos multi-universos da Mecânica Quântica, proposta pelo físico Hugh Everett III. Por fim, o terceiro conto, apresenta uma história na qual a ciência é descrita de maneira diferente. O conto mostra como é vista a ciência e a tecnologia pelo olhar de quem não conhece a ciência, mostrando nesse sentido, que a ciência é inverossímil a certos contextos. Como metodologia, realizamos um estudo inicial sobre a leitura na aula de física que foi acompanhado de um estudo relativo a estratégias de leitura, no qual propomos a leitura como investigação e como analogia. Além disto, realizamos um estudo literário das obras a partir da semiótica de Greimas. Estudo este que serviu para interpretar e identificar os principais elementos dos contos. Assim, ao relacionarmos o fantástico com a física, nos foi possível observar que na física, o que é fantástico pode ser real. Neste sentido, esta relação nos convida a refletir sobre a nossa realidade, fato imprescindível ao Ensino de Física. Além do mais, acreditamos que o fantástico pode ser trabalhado em sala de aula seja como uma analogia, ou como uma investigação, onde os conceitos científicos passam a ser questionados.
Título em inglês
The science and the unusual: the tale of fantastic literature in physics teaching
Palavras-chave em inglês
Fantastic Literature
Modern Physics
Reading
Short Story
Resumo em inglês
The current research deals with the relationship between Physics and Literature, represented by the fantastic tale, and its didactical possibilities, assuming, as defended by Zanetic (1989), that Physics it's also culture. We have chosen the short story, since it is one genre of fast reading, "of only one sitting", as proposed by Edgar Allan Poe (2000). Together with this, we have selected the fantastic literature, characterized by the hesitation between the real and the wonderful. This fantastic possess an educational function, as indicated by Rabkin (1977), since it creates in the mind a diametrical reversal and opens news and fantastic worlds. Given this outline, our goal is to think how the literature, especially the fantastic stories, can be used in physics classroom to address issues and concepts of physics. To this end, we have selected three tales from established writers: Murilo's Rubião "O Pirotécnico Zacarias" (1974), Jorge Luis Borges' "The Garden of Forking Paths" (1944) and Edgar Allan Poe's "The Thousand and Second Tale of Scheherazade" (1845). The first history, by dealing with the indetermination between life and death, provides an analogy with the Schrödinger's cat paradox of Quantum Mechanics. The second story, it's a detective story that features and endless labyrinth, represented by a book, where all possibilities occur at the same time, like in a garden of forking paths. This idea dialogues with the multi-universes interpretation of Quantum Mechanics, proposed by the physicist Hugh Everett III. Finally, the third tale, presents a history in which the science is described differently. The story shows how science and technology is seen through the eyes of those who do not know the science, showing whit this, that science is unlikely to certain contexts. As a methodology, we have conducted an initial study on reading in physics classroom that was accompanied by a study on reading strategies, in which we proposed the reading as a research and as an analogy. In addition, we have conducted a literary study of the tales from Greimas' semiotics. This study was used to interpret and identify the main elements of the tales. Thus, when we relate the fantastic with physics, we were able to observe that in physics, what is fantastic can became real. In this sense, this relationship invites us to reflect on our reality, a fact that is essential to Physics Teaching. Furthermore, we believe that the fantastic can be used in the classroom either as an analogy, or as an investigation, where the scientific concepts are to be questioned.
 
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Data de Publicação
2012-08-13
 
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