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Master's Dissertation
DOI
10.11606/D.81.2012.tde-13082012-112515
Document
Author
Full name
Júlia Rabello Buci
E-mail
Institute/School/College
Knowledge Area
Date of Defense
Published
São Paulo, 2012
Supervisor
Committee
Porto, Paulo Alves (President)
Marson, Guilherme Andrade
Oliosi, Elisa Cristina
Title in Portuguese
Humphry Davy e a questão da classificação do potássio e do sódio
Keywords in Portuguese
História da ciência
Humphry Davy
Metal
Potássio
Sódio
Abstract in Portuguese
Este trabalho aborda as questões acerca da definição do que seria um metal, que se seguiram à preparação dos metais alcalinos (sódio e potássio) por Humphry Davy (1778 - 1829). O estudo de caso histórico, enfocando a preparação dessas novas substâncias - as quais apresentavam propriedades bastante diferentes de todos os metais conhecidos na época - pode dar margem a uma série de reflexões úteis para os educadores em química da atualidade, acerca do processo de construção do conhecimento científico. Seguindo as orientações da nova historiografia da ciência, procurou-se caracterizar os debates em torno do trabalho de Davy de acordo com o contexto em que se desenvolveram. Para isso, foram consultadas fontes primárias, tanto de textos que possivelmente serviram de fontes para Davy - como o Tratado Elementar de Química de A. L. Lavoisier (2007; edição original, 1789) - quanto de textos do próprio Davy (em especial, suas Bakerian Conferences) e seus contemporâneos. O trabalho de Davy deve ser entendido no contexto do desenvolvimento da "nova química" proposta por Lavoisier e seu grupo no final do século XVIII. Nesse panorama teórico, surgiu um novo instrumento de análise química, proveniente dos estudos sobre a eletricidade: a pilha elétrica, construída pioneiramente por Alessandro Volta. Em seu laboratório na Royal Institution de Londres, Davy realizou uma série de investigações a respeito de efeitos químicos resultantes da ação de pilhas elétricas. Convencido do grande potencial analítico das pilhas, Davy acreditou ser possível decompor substâncias que não eram decomponíveis pelos métodos químicos existentes até então - como era o caso dos chamados "álcalis fixos": a potassa e a soda. Em sua Bakerian Conference de novembro de 1807, Davy comunicou à Royal Society que havia conseguido decompor a potassa e a soda, obtendo duas novas substâncias, muito pouco densas e extremamente reativas. Davy apresentou em detalhes as propriedades dessas novas substâncias, concluindo que se tratava de dois novos metais, que se combinavam ao oxigênio para constituir os álcalis fixos. Alguns químicos contemporâneos de Davy, como os franceses J. L. Gay-Lussac e L. J. Thenard, não acreditaram a princípio que as novas substâncias fossem metais, suspeitando que seriam compostos contendo hidrogênio. Os debates que se seguiram ilustram bem a sobrevivência de ideias semelhantes à teoria do flogístico, mesmo no panorama da química pós-Lavoisier. Assim, este estudo de caso pode mostrar aos educadores em química, dos diferentes níveis de ensino, alguns aspectos da complexidade da construção do conhecimento científico. A incorporação dessas ideias à prática docente pode levar a um ensino de ciências mais condizente com seus objetivos na atualidade.
Title in English
Humphry Davy and the issue about the classification of potassium and sodium
Keywords in English
History of science
Humphry Davy
Metal
Potassium
Sodium
Abstract in English
This work addresses the issues concerning the definition of metal, which followed the preparation of the alkali metals (sodium and potassium) by Humphry Davy (1778 - 1829). This historical case study, focusing on the preparation of the two new substances - with properties not presented by any metals known at the time - can give rise to a series of useful reflections for present-day educators in chemistry, concerning the construction of scientific knowledge. Following the guidelines of the new historiography of science, we sought to characterize the debate surrounding the work of Davy according to the context in which it developed. To this purpose, primary sources were consulted, including texts that possibly served as sources for Davy - such as A. L. Lavoisier's Elements of Chemistry (Portuguese translation, 2007; original edition, 1789) -, as well as Davy's (in particular, his Bakerian Conferences) and his contemporaries' texts. Davy's work must be understood in the context of the development of the "new chemistry" proposed by Lavoisier and his group in the late eighteenth century. In this theoretical scenario, a new tool for chemical analysis emerged from the studies about electricity: Alessandro Volta's electric pile. In his laboratory at the Royal Institution of London, Davy made a series of investigations on the chemical effects produced by electric batteries. Convinced of the great analytical potential of batteries, Davy believed to be possible to decompose substances that so far resisted decomposition by chemical methods - such as the so-called "fixed alkalis": potash and soda. In his Bakerian Conference delivered on November 1807, Davy communicated the Royal Society he had managed to decompose potash and soda, obtaining two new, low-density, extremely reactive substances. Davy described the properties of the new substances in detail, concluding that they were two new metals, which combined with oxygen to form the fixed alkalis. Some contemporary chemists, such as the French J. L. Gay-Lussac and L. J. Thenard, did not believe at first that the new substances were metals, suspecting they were hydrogen compounds. The discussions that followed illustrate the survival of ideas similar to the phlogiston theory, even in post-Lavoisierian chemistry. Thus, this case study can show chemical educators some aspects of the complexity of the construction of scientific knowledge. The incorporation of these ideas to teaching practice can lead to a science education more suited to present-day goals.
 
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Publishing Date
2012-08-13
 
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